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Crítica | Cavaleiro da Lua ep. 03: Mais 50 minutos de quase nada

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Todo novo episódio de Cavaleiro da Lua reforça um pensamento: Por que não um filme, hein?

Mesmo com todas as qualidades (…cada vez mais raras) da produção, a cada episódio que passa, este “evento em 6 episódios” parece mais enrolado. O episódio 3 foi um exercício de enrolação, uma brincadeira de criar o máximo de cenas diferentes entre a estreia e a conclusão, sem necessariamente exigir que elas sejam essenciais à trama.

No episódio 3, a estrutura escolhida foi algo próximo de um Ascensão Skywalker: uma sequência de cenas em que os personagens vão a um lugar, pegam um objeto que os leva a outro lugar, etc etc até ocupar os 50 minutos de episódio. A estrutura não deixa de gerar um certo número de cenas interessantes, e já vamos chegar a elas, mas a sensação de tempo perdido ao fim  do episódio é inevitável.

O episódio se passa no Cairo, com Marc Spector, agora dominando o corpo do avatar de Khonshu, buscando a localização de Arthur Harrow, que está escavando para chegar à tumba de Ammit. Existe uma troca de dinâmica que deixa as coisas mais interessantes: em vez de Marc/Cavaleiro da Lua tirar Steven Grant do controle, é Marc que tem apagões e se vê coberto de sangue, e ficamos sem saber quem fez o banho de sangue. Mas isso ainda não salva as cenas de ação de serem as mais fracas até agora.

A cena de luta nos telhados do Cairo é um tanto constrangedora, com um chroma key bizarramente evidente. Já a briga generalizada com os capangas de Anton Mogart (personagem 100% desperdiçado) é completamente desprovida de energia. E nenhuma delas evita a sensação de que elas só existem porque é necessário que se tenha lutas num seriado de super-herói — quando, na verdade, para esta estrutura e cenário, o seriado se beneficiaria muito mais de algo próximo da franquia Indiana Jones, mais aventuresco que “heróico”.

De qualquer forma, ainda há momentos interessantes. Como o roteiro meio que elegeu Steven Grant como o mocinho (principalmente considerando que a caracterização da faceta Marc Spector é de um belo dum babaca), essa estrutura de “quest” de montagem de quebra-cabeça se beneficia muito do lado nerd de Egito Antigo dele, o que gera, de longe, a cena mais visualmente interessante de todo o seriado: o momento em que Khonshu e Steven Grant rebobinam as constelações no céu para voltar ao momento em que Ammit foi enterrado.

Essa cena também é consequência de uma característica que não deixa de ser interessante: o fato de que o Khonshu… é meio burro. OK, não burro, mas inconsequente, no mínimo. Este poderia ser um aspecto central da série, e pode-se até argumentar que já é, mas não chega a estar no centro dos conflitos do roteiro, o que é uma pena, porque essa relação entre Marc/Steven e Khonshu é uma parte muito legal dos quadrinhos (principalmente quando se deixa na ambiguidade a própria existência do deus).

Mas o centro mesmo é a rivalidade com Arthur Harrow, e os segredos que Marc esconde e Harrow parece conhecer, e essa é uma das partes mais fracas da série e do episódio. A cena em que Harrow faz basicamente um “gaslighting” com os outros avatares de deuses é uma das mais bobas da produção até agora, e introduz esse aspecto completamente desnecessário do lore do personagem da Disney+, esse grupo de representantes de deuses que se reúne numa cúpula para… decidir… não fazer nada… há anos? É quase tão esquisita quanto a ausência dos Eternos durante toda a história do MCU. Além de ser mais uma cena conveniente para mover a trama para onde o roteiro precisa ir: antes, Marc precisa reunir informações para saber onde Harrow está, aí, do nada, Khonshu reúne os deuses e, voilà, Arthur Harrow se apresenta.

Foi mais um episódio que nos faz pensar que, em um filme, esses 50 minutos seriam duas ceninhas de 5, ou simplesmente não existiriam, porque não colaboram com nada. O seriado vai avançando, aos trancos e barrancos, com destino a algo que não está muito claro. Um verdadeiro desperdício de Oscar Isaac (e do Cavaleiro da Lua… mas aí, só eu mesmo me importava…)

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