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Crítica | Wife Quest: a jornada da guerreira que surra monstros em nome do amor

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Há um ditado que diz (ou é o refrão de uma música?): “que seja eterno enquanto dure este amor”. Isso é posto à prova com o tempo e pode ruir rapidamente quando forças externas decidem interferir intencionalmente. Em um mundo de fantasia então, onde humanos coexistem com garotas-monstro que invejam a felicidade do jovem casal Mia e Fernando, todo dia é um teste a ser superado. E essa é a premissa de Wife Quest, jogo produzido pelo estúdio brasileiro Pippin Games.

Devolvam o Fernando!

O jogo traz o estilo retrô ação e plataforma, com uma leve pitada de RPG e muita personalidade, brincando (e exagerando até demais) com o clichê da donzela em perigo, só que os papéis se invertem aqui: você controla a guerreira Mia em uma jornada para resgatar seu esposo sequestrado.

Por mais épica que possa soar a aventura em Wife Quest, trata-se jogo extremamente simples e quase casual. Mesmo sem ideias inovadoras e mecânicas básicas, ele segura a atenção e diverte com algum desafio, mesmo que tudo siga uma fórmula muito familiar do começo ao fim.

O visual tem seu charme e é tudo super colorido, bonitinho e engraçado. Mesmo com artes ressaltando os atributos físicos das personagens — Fernando é o único homem em todo o jogo e pivô da coisa toda —, é tudo mais pela grande piada da trama do que por apelo sexual. Na verdade não tem nada de grosseiro ou ofensivo, ele segue a ideia de animes que retratam um momento absurdo na vida de alguém bem comum.

As músicas são alegres e remetem aos clássicos da era 16-bit, com som de sintetizadores e barulhos estridentes, acompanhado de alguns barulhos e grunhidos. E tem a piada recorrente (e até cansativa) que fala do tamanho de peitos, principalmente quando a elfa negra, Morganna, sequestra o Fernando para mostrar a ele o que “perdeu por ter se casado com a garota mais reta que uma tábua”.

Mia não aceita nenhum tipo de desaforo, então vai atrás da vilã e suas comparsas. A trama também é simples, embora seja recheada de piadas de duplo sentido e provocações no melhor estilo “turma do fundão da 5ª série”, com ofensas bobinhas, mas que arrancam uma risadinha ou outra pela situação ridícula e barraqueira que planta aquela expectativa para o próximo bate-boca.

E, obviamente, Fernando não parece se esforçar muito para facilitar a vida da esposa. É aquele típico boneco passivo que vê a situação escalando a parede do absurdo e fica com a carinha boba e um sorrizinho besta.

Casada Pistola vs. Monstras Sirigaitas

O jogo é dividido em seis regiões distintas, com algumas fases mais longas e segmentadas que outras. Algumas trazem mais caminhos e enigmas físicos brincando com plataformas e alavancas a serem acionadas para abrir portões. Uma pena que as fases sejam microdoses homeopáticas de um metroidvania.

Basta finalizar uma vez cada tipo de monstro para preencher as animações do “monstruário”… e Mia não pega leve mesmo!

O lado interessante é o desafio que segue uma crescente que vão exigindo cada vez mais o domínio de suas habilidades básica de pular e atacar, até porque Mia apresenta mecânicas um pouco sensíveis, embora bem precisas. Há uma boa variedade de inimigos monstros, todas mulheres claro.

Além de saber como reagir a cada tipo, também é preciso finalizar as inimigas, ou seja, fique sobre o corpo caído e acione o comando na tela para pular, enforcar, puxar cabelo, torcendo pernas e por aí vai. É engraçado nas primeiras vezes, mas depois se torna uma ação dispensável.

Na verdade essas interações servem para completar a lista de ações do seu monstruário, que funcionam como uma espécie de colecionável. Derrotar inimigos implica em ganhar moedas de ouro, assim como abrir baús pelo caminho ou achar dinheiro escondido em trechos isolados de algumas áreas. E dinheiro é crucial para comprar os power-ups.

A elfa Ymir tem uma lojinha e se faz de amiga da Mia, mas fica claro que sua “amizade” é para se aproximar de Fernando

A escala de dificuldade do jogo está ligada diretamente às melhorias de atributos — mais HP, mais MP, mais poder de ataque e maior capacidade de carregar itens —, se você tentar ignorar essas melhorias, vai sentir que a dificuldade sobe bruscamente. Por outro lado, se forçar demais (e fazer “grinding”, repetindo fase para arrecadar fundos) e comprar todas as melhorias o quanto antes, vai sentir que o jogo é fácil.

A exploração de algumas fases têm seus desafios, mas o que vai tirá-lo da zona de conforto inicial são as batalhas contra chefes. São as melhores coisas do jogo, mas tudo segue padrões para decorar. E como não poderia ser difereente, o jogo tem aquela síndrome de Mega Man: vencer batalhas implica em tomar (à força) poderes emprestados e ganhar novas habilidades.

Fase de gelo, com pontos escorregadios, buracos e espinhos mortais… é o puro suco dos jogos dos anos 90!

Essas habildiades adicionam uma camada extra à exploração e superação de obstáculos, além de facilitar revisitar algumas fases para coletar ícones musicais (outro colecionável) escondidos em pontos isolados, outrora inacessíveis. E mesmo assim são pouquíssimos desses segredos para achar. É uma pena.

O amor (e a espada) sempre vence

Apesar das possibilidades, o jogo não exige tanto vai e vem. Entretanto, o ponto crítico da aventura é o uso da defesa. Mia usa um escudo para rebater projéteis e anular ataques pesados de chefes, o que é legal e adiciona um toque tático na simplicidade de pular e atacar.

Fique atento no uso abusivo do escudo e a barra de MP, invista na compra de melhorias de magia urgentemente

Cada vez que defender, um ponto é deduzido da barra de MP e quando esta zera, Mia perde o escudo e fica vunerável. Felizmente o escudo volta quando cristais azuis são coletados ou comprados (ou usado como item). o ponto é: se você não souber administrar o uso da defesa, vai se frustrar de tanto morrer.

De modo geral, Wife Quest é aquele tipo de jogo que você começa sem esperar nada, sente que pode progredir rápido mas precisa aceitar que ele o guia a comprar melhorias se quiser uma progressão prazerosa. Antes da batalha final ocorre o manjado boss rush, ou seja, é preciso enfrentar todos os chefes seguidamente, mas até lá você já deve ficar calejado e confortável o suficiente para superar esse desafio.

Cada chefe tem uma peculiaridade, o que rende boas piadas, além de cada batalha se dividir em duas etapas

Se você é um complecionista, ou curte caçar troféus/conquistas, já adianto que a brincadeira aqui é muito boa e bastante confortável. E terminando uma vez, você abre uma aventura extra, na qual a jogabilidade fica ainda mais simples onde a defesa não existe, obrigando-o a agir com cautela para superar as três grandes áreas e bater o chefão.

De todos os chefes, Fria é a única que gosta de ser humilhada e punida (masoquista!)… você vence, ela ganha.

Embora o jogo agrade, ele carece de desafio e merecia mais fases ou, pelo menos, mais desafios nos cenários que possui. Você termina a aventura com aquele sede de quero mais, o que é bom por um lado, e precisa se contentar em jogar tudo de novo e usar um modo onde a barra de MP é infinita, mas aí a maior parte do pouco desafio que o jogo tem simplesmente desaparece.

São cerca de dez horas jogatina que passam rapidinho, isso contando fazer 100% de tudo o que o jogo tem a oferecer. É breve, é bobinho e prazeroso de jogar. Talvez a grande piada não agrade a todos e até fique cansativa, mas a satisfação ao fim da jornada é boa.

Jogo: Wife Quest    ■ Publicação: EastAsiaSoft    ■ Desenvolvedora: Pippin Games
Plataformas: Switch, PS4, PS5, Xbox One, Xbox Series X/S, PC    ■ Lançamento: 16/03/2022

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