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Review | Dance Dance Danseur 02: Elegância em forma de anime

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Dance Dance Danseur continua uma grata surpresa, e o trunfo da série continua sendo, acima da ótima produção, a caracterização de seu protagonista. Neste episódio 2, no ritmo às vezes alucinado do roteiro, Junpei passa por uma montanha-russa de sensações e problemas, conflitos que partem de uma escolha bastante interessante da série, a de centrar a trama num personagem popular, para variar.

Essa “popularidade” do Junpei é um reflexo dessa tentativa consciente de performar essa masculinidade padrão que ele acredita ser essencial em sua vida, e que faz o anime ser tão interessante. Como vimos na estreia, Junpei “renegou” o balé depois da morte do pai e de ter peso da função de “homem da casa” jogada sobre seus ombros — o que, obviamente, cria uma série de neuras na cabeça do moleque. Agora, mais neuras foram criadas, e ele precisa lidar com tudo que ele criou para si nessa tentativa de ser “homem”, a paixão pelo balé que ele mal consegue conter e ainda ter que, em tese, jogar tudo para o alto para se dedicar 100% ao balé, que é, de fato, uma arte que demanda uma dedicação muito grande.

Este episódio demonstrou mais um pouco o quanto Junpei se dedicou a criar uma vida típica de “menino” na escola, e como ele sente uma certa necessidade de atender essas expectativas, como a cena em que seu amigo o chama para uma banda e, mesmo claramente não tendo tempo para isso, com futebol, Jeet Kune Do e balé formando o clássico “cobertor curto” — se ele se dedica a um, vai ter que largar o outro — ele aceita, para manter essa fachada. E a fachada precisa ser mantida até quando ele vai assistir uma apresentação de balé com Miyako, em que ele passa a maior parte do tempo ou quase dormindo ou olhando para o celular. Ele não pode estar interessado em balé, porque é homem…

…mas ele não consegue evitar. E é muito interessante como esse interesse dele vem de uma mistura de vários fatores. Existe o encantamento dele com a arte, com certeza (com mais uma cena dele maravilhado com uma apresentação, mas desta vez não tão bem dirigida quanto a anterior, o que deixou esse “maravilhamento” um pouco mais forçado); mas há também uma certa, digamos, competitividade: ele vê a apresentação e quer fazer igual, testar sua capacidade, ser bom no balé — mais uma semelhança de Dance Dance Danseur com animes de esporte. Essa vontade de ser bom o motiva, o que a professora identifica e usa, colocando Luou na jogada, o fazendo ver alguém melhor que ele em basicamente tudo; incluindo o fato de ele ser mais alto, o que é mais um fator que mexe com Junpei, já que mexe com sua noção de masculinidade.

Mas o outro aspecto que motiva Junpei é o romance, e esse entendimento errado dele de que Miyako estava interessada por ele. Antes de mais nada, é o que gera as cenas mais engraçadas do anime, do tipo de cena cômica que funciona melhor: as que acontecem organicamente. É lógico que o moleque daquela idade, que acha que está arranjando uma namoradinha, vai ficar sem graça tocando na cintura da menina, e não vai conseguir separar o “profissional” do pessoal. Mas essa também é a jogada errada da professora Chizuru, já que perceber que Miyako está (provavelmente) apaixonada pelo primo Luou o desmotiva, em vez de impulsioná-lo.

Por isso, é muito bom ver como a caracterização dele é competente em criar um ser humano multifacetado — e, assim, uma série multifacetada, que trabalha tantas questões ao mesmo tempo com a mesma elegância que seus personagens demonstram no balé.

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